quarta-feira, 23 de julho de 2014

Escola e a Fobia Social..

Educação física era horrível, eu sempre dava um jeito de faltar, quando eu ia e via aqueles jogos percebia que era legal mas não conseguia participar, se jogassem a bola pra mim eu não conseguia nem me mexer, parece que minhas pernas travavam, era horrível, então eu não participava e levava bronca da professora, acabava tendo que fazer trabalhos pra ter nota.
E quando a professora dizia: hoje vamos fazer uma aula diferente, cada um escolhe um colega pra fazer grupo, bah eu sentia meu estômago embrulhar, não teria coragem de convidar ninguém pra fazer grupo e também sabia que ninguém me escolheria, era sempre uma das últimas a ser escolhida, eu não tinha assunto com a pessoa, me sentia desconfortavel o tempo todo, e as vezes ninguém me escolhia e a professora tinha que achar um grupo pra mim entrar.
O sentimento era de fracasso, eu era estranha, não conseguia agir normal.
A hora do lanche era difícil, no início eu ia normal, depois comecei a sentir vergonha de comer na frente dos meus colegas, então eu ia só quando ia pouca gente, mas com o tempo eu não conseguia comer nem com poucos colegas, eu percebi que não tava dando mais, porque eu ficava tão nervosa que comecei a comer tudo quente demais, eu queimava minha boca mas não parava, suportava aquilo quente porque eu precisava ir embora logo daquele lugar, parecia que todos estavam me olhando e prontos pra rir de mim, com o tempo eu não consegui mais, parei de ir, ficava com fome porque não conseguia comer nem algum lanche que levava de casa, não conseguia comer na frente deles.
Nessa época eu já tinha sintomas físicos da fobia social, eu sentia muita dor no estômago e acabava vomitando quando passava por situações que me deixavam nervosa, lembro que cheguei a desmaiar na escola.
Ir na escola pra mim era uma tortura, eu não queria, faria qualqurr coisa pra não precisar ir mais.
Mas tinha que ir, minha rotina escolar ficou assim: 3 ou 4 dias eu era tomada por anjoo e dor no estômago e não ia, e quando não havia outra opção eu ia.
Trocava de roupa um milhão d vezes,parecia que nada ficava bem, toda roupa que colocava eu já pensava que iam rir de mim, saia atrasada, ficava numa esquina afastada dos outros, eu não conseguia me enturmar, ficar ali por 5 minutos esperando o sinal pra entrar parecia horas.
Nervosa, tremendo, com a boca seca, com frio e calor ao mesmo tempo, e com a sensação de que todos estavam olhando pra mim e com vontade de rir, ficava apavorada e atenta tentando ouvir tudo que falavam pra saber se era de mim, saber se tavam rindo de mim, qualquer risadinha me deixava em pânico, minha vontade era sair correndo ou abrir um buraco e me enterrar.
Era difícil demais passar por tudo isso, me sentia estranha, paranoica,de outro mundo, acho que meus colegas só me viam como uma menina tímida mas eu imaginava um monte de coisas ruins.
Nessa época eu já sabia que tinha algo errado comigo, minha vergonha era tanta que me impedia de ir a lugares, de responder as pessoas, me impedia de viver, mas eu não sabia que era um problema, pensava que era o meu jeito e que eu deveria me acostumar e tentar esconder ao máximo minha dificuldade de me comunicar com os outros. ..

Escola e a Fobia Social

Quando fui para o quinto ano, eu já tinha medo das professoras, elas não faziam nada contra mim mas eu estava traumatizada, pensamentos de que elas poderiam me xingar, me humilhar tomaram conta de mim, comecei a sentir vergonha de tudo, comecei a evitar falar com meus colegas pra que nenhum deles me zuasse ou fizessem alguma coisa que chamasse a atenção pra mim, eu não queria nenhum tipo de atenção porque isso me deixaria em pânico, não sabia o que fazer, como agir, tudo me deixava com vergonha, nervosa, não conseguia ter assunto com ninguém, parecia que minha mente estava vazia toda vez que eu tentava criar uma amizade, me sentia desinteressante.
Ir ao banheiro durante a aula? Nem pensar, não conseguiria levantar da minha classe por nada, muito menos pedir a professora, ela poderia me xingar na frente de todos.
Então comecei a segurar o máximo que eu podia, lembro que minha barriga ficava grande e doia, e quando acabava a aula se eu conseguisse ter coragem eu ia mas a maioria das vezes eu não tinha coragem, então eu corria da escola até minha casa senão eu faria nas calças, teve um dia que eu tive que parar numa casa de uma conhecida da minha mãe senão eu não ia aguentar, todos os dias a mesma coisa.
O intervalo era horrível, acho que enquanto a escola toda esperava por aquele momento eu desejava que ele não chegasse, sabia que ficaria sozinha, as vezes tinha outros colegas que queriam falar comigo, puxavam assunto mas eu não tinha assunto, eu apenas respondia o que perguntavam e não conseguia falar mais nada, era como se minha mente estivesse vazia, quem ia querer estar perto de alguém que não fala? Enfim, via grupos de alunos brincando, conversando pelo pátio e eu lá, parada, sozinha.
Desejava ansiosamente que o sinal tocasse logo, quando chegava perto de mim um daqueles meninos chatos que ficam zuando todos, eu entrava em pânico, sentia ansia de vomito de tão nervosa, graças a Deus eles nunca me zuaram, mas o nervoso que eu passava por causa deles era horrível.
Me sentia triste de ver que todos se enturmavam com a maior facilidade e eu mal conseguia responder o colega do lado.
Quando o sinal tocava e o intervalo acabava era um alivio pra mim, não suportava ficar naquele pátio cheio de gente.
Entre outras coisas que me deixavam apavorada e que a fobia se manifestava esta educação física, grupos, a hora de ir pro lanche.. (Continuação..)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Depois da separação dos meus pais.

Depois da separação dos meus pais, depois do quarto ano na escola, aconteceram outras coisas.
Bom como toda menina eu tinha muitas bonecas e ursos que eu ganhava de um e outro. Um dia ouvi umas histórias de que uma boneca já havia matado uma criança e que outras falavam com as crianças.
Isso sendo verdade ou não entrou com tudo na minha mente, eu era uma criança que além de não ter muito conhecimento sobre o mundo, enfrentava muitos problemas, prestava a atenção em tudo que diziam comecei a sentir medo das bonecas, (não sei se isso faz parte da sindrome do panico, ou se era só minha imaginação, mas comecei a sentir medo, pavor, comecei a imaginar que elas poderiam me fazer mal) e se elas se mexessem ou falasse comigo?
Comecei a vivenciar um filme de terror, chegava a noite eu tinha que tranca-lás no guarda roupa, e mesmo assim sentia-me insegura, eu nem mexia na cama de tanto medo, quaquer barulho eu chorava, dava 6, 7 hrs da manhã e eu recem estava querendo me acalmar porque começava a clarear.
Eram noites horríveis, eu sentia medo, pavor, angustia.
E assim eram todas as noites, eu não dormia mais.
O meu dia era doloroso, via minha mãe trabalhando muito para nos sustentar, e mesmo assim as vezes faltava serviço e entao faltava comida, gaz, luz, água etc..
Eu precisava tanto resolver essa situação, mas o que uma criança poderia fazer pra resolver esses problemas?
Eu chorava, como chorava, escondido é claro, pensava que eu tinha que resolver tudo isso.
Minha cabeça tava uma bagunça, sentia tudo junto, dor, tristeza, medo, pavor, angustia, preocupação, saudade, decepção, fome.
Foram dias difíceis, a vida estava sendo tão cruel comigo, eu não conhecia o mundo e quando pude conhecer parece que ele só quiz me apresentar seu lado ruim.
Na escola fui para o quinto ano..

Alguém mais se sente assim?!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amo essa música s2


Entrevista de emprego com fobia social / continuação.

Bom depois de dizer oi para a turma e perceber que minha voz não saiu (não sei se isso acontece com mais alguém, mas quando estou nessas situações, minha voz não sai, ou sai falhada ou diferente e isso me da mais vergonha ainda) baixei a cabeça e entrei, devo ter ficado vermelha, odeio quando isso acontece, e o pior e que isso acontece com muita frequência, as vezes acontece só de ter que passar por alguém conhecido na rua e ter que dar um oi.
Sentei no meu lugar e desejei que eles esquecessem de mim e do mico que paguei, sei lá, talvez eles nem tenham notado que eu cheguei e entrei na sala, mas eu imaginei um monte coisa e parece que durou uma meia hora essa situação toda.
Logo que sentei já senti que meu coração tava a mil, minha boca tava seca, minhas mãos estavam ficando adormecidas e meu peito doia.
Fiquei ali olhando toda aquela gente e tentando adivinhar o que iria acontecer, sera que eu teria que falar alguma coisa? Sera que teria que responder perguntas sobre mim? Sera que teria que ir la na frente de todos? Sera que teria que dar a minha opinião sobre algum assunto? Meu Deus, fiquei apavorada, em panico,não sabia o que fazer, eu não conseguiria falar nada na frente daquelas pessoas, imagina todos me olhando, minha voz falhando, e quando eu fico nervosa eu troco as palavras, minha mente sabe o que devo dizer mas minha boca fala outra coisa, e se rissem de mim? Eu não ia aguentar, não sei o que iria acontecer se eu tivesse que passar por essa situação.
Tentei ficar calma e pensar em quais alternativas eu tinha, eu podia levantar e sair correndo dali, sair porta fora e ir embora correndo pra casa, nunca mais ia ver essas pessoas mesmo, mas lembrei dos meus sonhos, da minha vontade de ter esse emprego, das minhas orações pedindo a Deus uma oportunidade, lembrei da sensação de fracasso que eu sentiria ao fugir dali, o que eu diria quando chegasse em casa e todos me perguntassem como foi a seleção, meu coração doeu nesse momento, segurei as lagrimas, e lutei contra mim mesma por mim, decidi ficar, enfrentar, foi horrível mas preferi passar vergonha, e ir embora dali pensando " pelo menos eu tentei" do que me sentir uma fracassada mais uma vez.
A moça da seleção entrou e começou a explicar como seria a seleção, nos deveríamos preencher umas folhas com nossos dados e um pequeno texto falando sobre nos, depois deveríamos fazer uma prova. Ufa, me livrei de falar, respondi tudo, e também tinha um boneco que deveríamos pintar, era um teste psicológico, eu tinha que pegar os lápis numa mesa no centro da sala, demorei uns 5 minutos criando coragem pra ir ate la, a sensação é que todos me olhariam, me achariam feia ou estranha, não sou feia mas nessas situações me sinto muito feia, criei coragem e fui la, me atrapalhei e não conseguia segurar os lápis, ate que peguei 3 e fui rápido pra minha mesa, as cores eram, marrom, verde e amarelo, imaginem como ficou meu boneco rsrs, acho que nem a psicologa ia conseguir entender como anda meu psicológico, ou ia achar que meu bonequinho estava no clima dos jogos do Brasil na copa rs.. Mas enfim, no final deveríamos ir la na frente falar nome, idade e experiencias profissionais. Esperei ter umas 8 pessoas na aula pra conseguir ir la na frente, acho que esses 8 devem ter a mesma ou mais vergonha que eu, tremi dos pés a cabeça, minha voz saiu baixinha, falei muito rápido, e fui embora dali, quando sai na rua foi um alivio, parecia que tinham tirado um peso enorme de cima de mim, fui pra casa e me enfurnei no meu quarto como sempre..
E essa é minha experiência com fobia social em uma seleção de trabalho, e não parou por ai...

sábado, 19 de julho de 2014

Entrevista de emprego..

Olá meus amores, hoje vou contar um caso que aconteceu recentemente comigo, as coisas que eu contei anteriormente foram coisas da minha infância, mas hoje vou contar algo que aconteceu a poucos dias, quando fui chamada para uma entrevista de emprego, estou com 20 anos.
Bom faz um tempinho que estou procurando emprego, 3 anos mais especificamente, quero muito trabalhar, ser independente, tenho muitos sonhos para realizar mas todos nós sabemos que precisamos de esforço e dinheiro pra fazer qualquer coisa hoje em dia, e no meu caso não é diferente.
Enfim, larguei currículo num super mercado perto da minha casa, já foi difícil chegar até lá mas fui, mandaram que eu deixasse numa sala com uma moça, entrei na sala e senti meu coração bater forte, mas ela não me fez muitas perguntas então logo me acalmei.
Um dia eu estava dormindo e adivinha quem me ligou? Pois é era do super mercado me chamando, dizendo que eu ia participar de uma seleção, meu coração bateu forte mas de alegria, pediram que eu levasse os documentos e eu levei, cheguei lá pensando que ia participar de uma entrevista, ensaiei algumas respostas, imaginei tudo como ia ser e como eu deveria me portar, queria causar uma boa impressão, não queria ficar com vergonha ou errar as palavras, ensaiei muito (eu sempre ensaio tudo o que vou dizer).
Quando cheguei lá vi que tinha um guri e já fiquei nervosa porque vi que não era o que eu esperava, eu odeio surpresas, gosto de saber tudo o que vai acontecer porque assim não fico tão nervosa e me sinto mais segura, bom eu mesma tentei me acalmar e pensei, claro eles devem entrevistar varias pessoas, uma de cada vez, então posso ficar mais tranquila ( pensei ter o controle de mim mesma novamente).
Cheguei e a moça pergunta: É pra seleção? eu disse: Sim e ela mandou que eu passasse pra uma sala, eu pensei, deve ter umas 5 pessoas ali no máximo, é só eu agir naturalmente e esperar a minha vez.
Quando entrei na sala, acho que dei um passo pra frente e dois pra trás, fico imaginando a cara que eu fiz, tinha umas 60 pessoas mais ou menos, a maioria eram homens e eu sinto mais vergonha de homens do que de mulheres. Fiquei parada na porta, não sabia o que fazer, nessa hora fiquei pensando que todos deviam ta me olhando e me achando feia, louca, estranha, sei lá, quase todas as classes estavam ocupadas, nesse momento eu fiquei mais apavorada ainda, onde eu ia sentar? será que eu teria que ficar de pé? ou teria que passar pela vergonha de ter que pedir uma cadeira pra alguém e levar ela até um lugar que eu pudesse ficar? Que vergonha eu senti, era como se eu fosse uma pessoa ridícula, numa situação ridícula,queria sumir, queria cavar um buraco e me esconder, queria ser invisivel, até que avistei uma classe lá no fundo, a ultima, no canto esquerdo da parede, olhei e pensei eu vou correr e me sentar lá, e de lá eu não saio mais, entrei e tentei dizer oi para as pessoas, eu não sabia se elas iriam me responder, não sabia se devia dar oi ou bom dia, enfim, disse oi, mas acho que minha voz saiu tão baixa que ninguém ouviu, me senti novamente ridícula, numa situação ridícula..
Continuação....

Frase *-*

Gente li uma frase num grupo sobre fobia social que eu achei muito bonita e queria compartilhar com vocês.
"Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda."
Linda, e é isso ai galera, não vamos desanimar, não vamos desistir, vamos lutar com todas as nossas forças contra esse mal que nos paralisa. Deus abençoe a todos. beijos *-*

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Separação.

Minha vida na escola não estava muito fácil, em casa ? Bom meu pai bebia cada vez mais , as vezes ele chegava tarde, brigava muito com a gente e eu aprendi a ter medo dele, presenciei muitas brigas dele com minha mãe, isso me deixava em pânico, lembro que as vezes eu me metia pra tentar defender ela ou acabar com aquilo não lembro. Sempre que ele estava em casa nós sentiamos medo, mas não vou entrar em muitos detalhes pois essa história é difícil pra mim.
Lembro que muitas vezes faltava comida, cortavam a luz ou a água, até que um dia meus pais se separaram, eu não entendia muito bem essa situação,  mas por um lado me senti aliviada, não ia mais sentir medo e nem ia ter que ver minha família sofrendo por causa dele, mas ao mesmo tempo eu era muito apegada a ele  o que ia ser de mim ? Eu não queria o mal dele, queria cura-lo, queria ajuda-lo, foi difícil.
Do nada ele foi embora e aos poucos desapareceu da minha vida,  tive que aprender na marra a não ter mais um pai.
Fiquei triste,  decepcionada,  pois percebi que eu não era nada pra ele, e eu o tinha como un tudo pra mim.
Conheci entao a rejeição e  a decepção. Rejeição porque hoje já faz  uns 12 anos que ele se foi e não voltou mais, nem pra saber se eu ainda estou viva, decepção porque eu não esperava isso dele.
Mas enfim, nessa nova fase descobri que tinha mãe,  isso mesmo. ..

sábado, 5 de julho de 2014

Acusação..

O quarto ano na escola não foi nada fácil, mas como dizem, nada é tão ruim que não possa piorar, um dia a professora resolve nos levar para sua casa, não lembro o que a gente foi fazer lá, mas eu fui junto com meus colegas, na metade do ano eu já não era mais aquela criança que falava com todos, já estava mais na minha, quieta, e um pouco triste, atenção era a ultima coisa que eu queria, já estava com problemas em casa, com meus irmãos doentes, pouca comida, as vezes sem luz ou água, mãe ausente e um pai alcoolotra, tava difícil, não queria mais problemas.Voltamos para a escola, e no outro dia a aula foi diferente, pela primeira vez no ano a professora não quis que nós rezacemos, depois de tanto tempo tendo a atenção voltada para mim aquele dia foi um dia de alivio, não precisei sentir medo ou vergonha.
A professora disse que tinha algo importante e serio para conversar com a turma, o que será? pensei eu, a ansiedade tomou conta de mim, eu sabia que não era nada comigo mas já estava acostumada a ficar muito nervosa com qualquer coisa, ai ela disse: Ontem quando levei vocês na minha casa aconteceu algo muito serio, roubaram um relógio. Nesse momento aquela menina do interior, que não conhecia muita coisa, se perguntou: O que significa a palavra "Roubaram", eu não sabia, juro, não sabia o significado, até que depois de muito ela falar, eu descobri que alguém havia pego algo da casa dela, fiquei pensando durante um bom tempo, quem poderia ter feito isso? e porque? isso é uma coisa tão feia.
A aula continuou normal depois disso, e um tempo depois um aluno veio do banheiro dizendo alto que já sabia quem tinha roubado, assim como todos os outros colegas eu estava louca pra saber quem tinha feito aquilo, até que o aluno apontou para mim e disse que tinha sido eu, naquele momento eu olhei para ele apavorada, não tive coragem de me defender, a voz não saiu, as palavras sumiram, tremi dos pés a cabeça, e senti vontade de chorar, a turma inteira olhou para mim e alguns começaram a cochichar, naquele momento minha mente virou uma bagunça, as preocupações tomaram conta de mim, porque ele estava falando aquilo ? o que os meus coleguinhas iam pensar de mim? o que eles iam falar? o que a professora ia fazer? e a diretora? será que alguém ia acreditar em mim? e meus pais quando ficassem sabendo o que iam fazer comigo? . Entrei em panico, não sabia o que fazer nem o que falar, até que a professora disse que não podiam acusar sem provas, mas isso ficou gravado, muitos pensaram que eu realmente tinha roubado, ouvi acusações e julgamento da parte de quase todos, e a partir disso minha vida não foi mais a mesma, acho que nessa época eu já convivia com a fobia social, e ela não me deixou mais, minha vida se tornou cada vez mais difícil.
O relógio? Bom depois de uns dias a professora encontrou perdido na casa dela, ela havia se enganado, pensava que estava num lugar e estava noutro, e todos esqueceram dessa história, menos eu...

Quarto ano na escola..

Olá, hoje vou contar sobre algo que aconteceu quando eu tinha uns 8 anos, creio que isso me prejudicou demais.
Eu estava indo para o quarto ano na escola, já tinha sofrido bullyng na escola algumas vezes, mas até a quarta serie eu não tinha tanta dificuldade de me comunicar, eu era eufórica, falava sem parar e adora ter a atenção das pessoas.
Até que eu comecei a ser o centro das atenções na sala de aula, eu sou evangélica, creio em Deus, e minha professora é de uma outra religião, eu a respeitava, sempre soube que devemos respeitar pra sermos respeitados, que cada um tem direito de fazer suas próprias escolhas, mas acontece que ela não respeitou minha escolha.
Todos os dias ela chegava na sala já xingando os alunos mais bagunceiros, ela adora dar lição de moral e pá, isso me deixou assustada, apavorada, até que ela apresentou a sua maneira de trabalhar em aula, e no inicio de cada aula, nós alunos deveríamos rezar/orar uma oração que ela trouxesse, eu era uma criança não entendia muito bem as coisas, mas eu não queria rezar/orar para um santo que eu nem conhecia, cada dia era um diferente, e eu me recusei, foi ai que o medo tomou conta de mim.
Eu expliquei a ela com minhas palavras que eu já tinha uma religião e que eu não queria participar daquilo, mas que eu respeitava a religião dela, mas ela não recebeu isso muito bem, ela gritou comigo e nesse momento a aula estava prestando a atenção em mim, ela fez um discurso enorme, me xingou e disse que na aula dela era ela que ditava as regras, mesmo apavorada, me recusei a participar, eu não podia aceitar que alguém interferisse na minha escolha, ela não tinha esse direito, mas acontece que ela era adulta, sabia falar, e tinha muita autoridade, e eu era apenas uma criança que não sabia se defender direito, a partir desse dia minha ida a escola se tornou um inferno, todos os dias eu tinha que passar por aquilo, tinha que fazer a vontade dela ou passar pela vergonha de ter toda a atenção dos meus colegas em mim enquanto ela fazia um discurso imenso falando sobre mim, me senti sem direitos,com as mãos amarradas, como eu ia lutar contra ela? ela tinha todas as chances de ganhar, o medo tomou conta de mim e ela ainda dizia para mim mãe que eu estava muito mal na escola e que podia repetir o ano, eu me sentia injustiçada, angustiada, com medo e não havia quem me ajudasse a me defender, sentia uma agonia imença toda vez que o sinal tocava e eu sabia que teria que enfrentar tudo aquilo, sofri com isso durante 1 ano, as vezes eu fechava os olhos na sala de aula, apertava minhas mãos, e desejava com todas as minhas forças que naquele dia, somente naquele dia ela não falasse comigo, não me xingasse na frente de todos, não me deixasse com medo de novo. Mas infelizmente isso aconteceu durante 1 ano inteiro, tive que enfrentar isso todos os dias, na marra, eu não tinha outra escolha.
Até que algo pior aconteceu...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Meu novo lar na cidade.. *Parte 2

Logo ganhamos uma casa da prefeitura, na cidade..
Tempo de descoberta pra mim, tudo era novo para aquela menina de mais ou menos 5 ou 6 anos, pessoas, brinquedos, tv, lugares, palavras etc.. Cada dia que passava eu descobria a existência de algo que eu não fazia idéia que existia. Boba, eufórica e inocente, essas 3 palavras me definiam nessa nova fase da minha vida.
Os dias foram passando e eu comecei a conhecer as características de cada um da minha familia, minha mãe era ausente, muito ausente então eu nem sabia que tinha uma mãe, sabia que tinha uma mulher que era minha mãe, mas não sabia o significado da palavra mãe, talvez a ausência dela nessa época é o que faz a gente ser tão distante hoje, minha irmã era quem tomava conta de mim e do afazeres da casa, meu irmão mais velho não se dava tão bem com meu pai e ele trabalhava muito, meus dois irmãozinhos estavam sempre com minha mãe no hospital e meu pai, bom eu comecei a perceber que ele bebia algo que o deixava diferente, mas não sabia o que era, só sabia que o efeito dessa bebida me causava medo.
Nessa nova fase de descobertas, fui apresentada ao medo, a angustia e ao sofrimento...

Descobrindo o mundo.. *Parte 1

Minhas lembranças não são muito boas, muitas delas são tristes e até mesmo traumatizantes.
Eu era uma criança, tinha 1 aninho quando meus pais mudaram de cidade, foram morar no interior de uma cidade do interior, bom ai vocês imaginam, era um lugar vazio.
Eu tinha 1 ano, minha mãe estava gravida de gêmeos, eu tinha mais dois irmãos que eram mais velhos que eu, frutos de um casamento anterior da minha mãe, minha irmã com 6 anos e meu irmão com 9. Meu pai? bom a história é longa, ele era alcoolotra.
Meu pai, minha mãe gravida de gêmeos, minha irma, meu irmão, e eu com 1 ano,5 pessoas e mais 2 por vir, todos fomos morar no interior, eu não tenho muitas lembranças pois era pequena, mas minha irmã conta que não tínhamos nem casa pra morar. Enfim, segundo ela foram momentos difíceis, meus irmãos nasceram quando eu tinha 1 ano e 6 meses, eles nasceram fraquinhos e prematuros isso fez com que minha mãe precisasse estar sempre no hospital, quando não era com um, era com o outro, eu e meus outros irmãos? Bom eu fiquei sob responsabilidade da minha irmã que tinha entre 6, 7 anos, ela teve que cuidar de mim, da casa, da alimentação etc.. Meu irmão começou a trabalhar pra ajudar em casa, e meu pai segundo o que minha irmã me conta, estava sempre por ai bêbado.
Bom as lembranças que eu tenho desse meu novo lar são poucas, porém marcantes, lembro que não tínhamos muito o que comer, não tínhamos chuveiro e nem banheiro em casa, morávamos num chalé muito pobre, e não havia muita gente morando por lá, vizinhos? Só tínhamos um, um casal, fui criada lá até os 5 anos mais ou menos, como não havia gente por lá eu pensava que só existíamos nós, até que minha mãe me levou naquela pequena cidade e eu fiquei apavorada, "meu Deus existem mais pessoas como nós", esse era meu pensamento, e essa nova descoberta me fez pensar que aquela pequena cidade era o mundo todo.
Logo ganhamos da prefeitura uma casa na cidade, mudamos para lá...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O que é Fobia Social?


O coração dispara, as mãos tremem, soam, a voz falha, a boca fica seca, as palavras somem, o rubor toma conta da face, o medo de errar de ser ridícularizado, insegurança e vergonha são reações e sentimentos familiares aos tímidos que sofrem de Fobia Social.
Frequentemente, o tímido encontra dificuldades ao se expor para um grupo, para uma pessoa importante ou, até mesmo, ao tentar investir em alguém. Essas dificuldades e sentimentos são paralizantes e ultrapassar essas barreiras pode ser muito doloroso, exigindo um grande gasto de energia, principalmente em uma sociedade onde a extroversão , a exposição e redes de relacionamentos são valorizadas para ter sucesso e ser reconhecido.
A timidez é um complexo processo de dificuldades de relacionamentos, que afeta todas as áreas da vida: afetiva, profissional, emocional e social. manisfestando-se no corpo, na mente, no pensamento e no "eu".
Na maioria das vezes, a auto-percepção  para o tímido é marcada por distorções negativas associadas a sentimentos, atitudes e comportamentos de menos vália que levam a pessoa a criar uma série de medos e fantasias a respeito de sí mesmo e dos riscos envolvidos na autoexpressão.
No dias a dia, encontramos uma quantidade grande de pessoas que são tímidas ou inibidas em situações sociais. Observamos também diversos níveis, desde as pessoas que se demonstram tímidas em poucas situações até pessoas com comprometimentos sociais significativos.
Na fobia social, os ataques de ansiedade são muito intensos, com grandes possibilidades de ocorrência  de ataque de panico e necessidade de fugir do ambiente, levando o individuo a pessoa perder a noção de si mesmo.
A timidez pode dificultar a criar barreiras para o desenvolvimento individual, mas, não é uma característica determinante para o fracasso. As dificuldades podem ser superadas.

Quem sou eu?

Oie, antes de qualquer coisa vou me apresentar. Sou a Bêh, tenho 20 anos e a pouco tempo eu descobri que tenho uma #doença digamos assim, muita #vergonha e #timidez fazem parte de mim. #Fobia #Social é o nome disso, eu não sabia, não conhecia,nunca havia ouvido falar sobre isso. Até que um dia eu passei mal, muito mal e os médicos me apresentaram a #Ansiedade, a #Fobia #Social e a #Síndrome do #Pânico.
Fiquei sabendo que convivo com isso a muitos anos e decidi compartilhar minhas experiencias "traumatizates" com vocês.
Meu objetivo é #desabafar, #alertar, #informar e trocar ideias com vocês.
Vou fazer desse blog o #meu #diário, para que mais pessoas possam conhecer esse mal que faz a mim e a muita gente sofrer. Vou relatar o meu #dia a #dia com #fobia #social, entrevistas de #emprego, #namoro, convivência com a #familia,#amigos, #escola etc...
Vou contar minha história desde o inicio para entenderem bem, quando contar minha história no título vai dizer: Parte 1, parte 2 etc.. O que não conter isso escrito do título da postagem, serão partes importantes que eu vou contar separadamente com detalhes.
Espero que gostem, se informem e que juntos possamos superar essa #Timidez que acaba com a nossa vida.
Entre, fique a vontade e comente.
Beijos